Bom, chegou meu ultimo dia na Asia. Estou em Bangkok de novo, hoje andando pela cidade atrás das ultimas coisas, noto que já não tiro mais tantas fotos, mesmo um templo novo passa a ser apenas outro templo. Um restaurante na rua com suas cozinheiras habilidosas só servem para despertar a fome ou não, como qualquer outro restaurante. Um monge e sua roupa alaranjada só o faz desviar da direção, assim como qualquer pessoa que encontramos na calçada.
Mas, isso não quer dizer que hoje não tem mais graça, apenas quer dizer que hoje aquilo que eu não conhecia já faz parte de mim, como a mudança arquitetônica imposta na cidade com um templo, a comida maravilhosa que é um convite tentador a parar para apreciar mais um fried noodles ou fried Rice com tudo o que você tem direito e a cor alaranjada do monge demonstra toda particularidade desse mundo que um dia foi um sonho, uma vontade e junto com isso, um desafio e um temor daquilo que eu não conhecia.
Estou feliz e triste. Feliz por ter aprendido, vivido, trocado, experimentado e sentido tudo o que a Ásia é e como sempre acontece, era totalmente diferente do que eu imaginava. Como Amyr Klink diz: “...deixar de ser um professor arrogante daquilo que não se conhece.”
E triste, por que estranhamente não queria ir embora, tenho tanto pra ver aqui ainda, tanta coisa que estava nos meus planos e mudei por vontade própria mas que agora é um convite tentador para voltar. Esses 4 países: Tailandia, Laos, Cambodia e Vietnam se tornaram um problema pois perto de tantos lugares a se conhecer, no fundo eu ainda não conheço nem esses. Olhando por esse parâmetro não conheço nem o Brasil ainda. Vamos ver para que lado os ventos sopram...
Uma nova amiga que essa viagem trouxe me perguntou se eu viajo uma vez por ano. Por incrível que pareça foi tão estranho ouvir essa pergunta, por que viajar uma vez por ano, conhecendo países soa para mim como uma afronta as minhas condições e situação. Talvez as coisas tenham mudado, talvez não. Sei que mesmo que eu não continue, tenho que agradecer por ter tido essas oportunidades maravilhosas. E a minha resposta para ela foi: “Não, eu sempre planejo a minha ultima viagem.”
Gostaria de ter escrito tanto mais, foram tantas coisas. Mas no fundo, talvez seja como tudo, eu também queria ter visto tanto mais. Vamos nos contentar, estou contente, espero que vocês também estejam, foi de coração.
Como vocês sabem eu vim sozinho, mas praticamente não fiquei sozinho, não me considero muito fácil de fazer amizade não sou do tipo falador que chega conversando com todo mundo, mas tudo simplesmente aconteceu, mesmo não falando muito, sorriso no rosto sempre! Sorriso é algo importante...
Aprendi muito...
Talvez eu ainda não consiga elaborar tudo que vivi, foi rápido e intenso, mas irei digerindo com o tempo e quem sabe bons insights possam surgir. O mais valioso com certeza foi perceber cada segundo é um renascimento, é um mundo novo que surge, sua respiração já concluída não é mais suficiente para te manter vivo, respire de novo. Aqui todos os turistas brincam com uma coisa que os Tailandes e Cambodianos sempre falam que é: “same same”. Brincam tanto com isso que tem até camiseta com same same escrito. Isso acontece por que quando você pergunta a diferença de uma coisa e outra e eles apenas dizem: Same same. Atras dessa camiseta esta escrito “but diferent”. È como nossa respiração, segundo, dias e meses... Same, Same... but diferent! O que passou não te serve mais. Foi útil, mas foi...
Se eu tivesse vindo com amigos minhas escolhas teriam sido outras, se eu viesse com uma namorada ocorreria o mesmo, e com família, mas ainda, alias é tão legal ver familias mochilando com seus filhos de 1 ano, 3 anos, 5, 7... Bacana e um pouco diferente de nós brasileiros que muitas vezes não arriscamos, gosto de ver criança no mundo.
Li aqui que toda criança é um mestre zen (zen- budismos não é o tipo do budismo daqui, isso veio de um livro que eu tava lendo e particularmente gosto mais do Zen), toda criança esta sempre aberta, livre de pensamentos, curiosas, sem medo de errar, apenas sendo e não tentando ser. Uma prova disso? O sorriso, a criança pode ser feia, banguela, remelenta, branca, negra, amarela, careca e seus sorrisos são sempre lindos...
Hoje já não somos mais o que éramos ontem, aprendemos, vivemos, experimentamos, então não queira o ontem, queira o amanha!
E assim sempre é, Let it go!! Deixar ir é essencial para se renovar e ser feliz!!!
Obrigado meus amigos..
Ps: Ainda tenho umas cartas na manga!!
ps: a foto não é minha...
ps: a foto não é minha...
